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A retomada pelo Agro

Todas as previsões de crescimento econômico para 2020 – no Brasil e no mundo – foram sepultadas pela pandemia da Covid-19. No Brasil, que mal saía de uma profunda recessão, e que esperava crescer mais de 2% neste ano, o tombo também será feio. A longa paralisação das atividades comerciais – necessária para conter a expansão acelerada do coronavírus – cobrará, todavia, um alto preço em queda de renda e de empregos.

Não há como escapar desta realidade. Sobretudo no Rio Grande do Sul, que já amargava um crescimento econômico pequeno, e ainda enfrentou uma prolongada estiagem na safra de verão 2019/2020. Mas, em meio a tantas previsões desalentadoras, o agronegócio gaúcho – pelo menos a parte que não foi afetada pela seca – volta a ser uma fonte de esperança para os gaúchos.

As perdas na soja e no milho passam de R$ 12 bilhões. Mas outras atividades, como a lavoura arrozeira, a vitivinicultura e a criação de suínos, terão resultados dignos de comemoração.

O caso do arroz é exemplar. Lavoura irrigada, não prejudicada pela estiagem, a orizicultura registrou nesta safra um nível de produtividade não alcançado desde 1921: exatos 8.418 kg/ha. Muitos agricultores colheram mais de 10 mil kg/ha. A água abundante das chuvas de inverno, acumulada em barragens e açudes, garantiu o sucesso da lavoura.

Já os produtores de vinho estão comemorando a melhor safra de todos os tempos. Tivemos excelentes safras em 1991, 2005 e 2018 – mas nada que se compare à deste ano. A estiagem reduziu em cerca de 30% a colheita da uva. Mas a qualidade da fruta é insuperável. Com menos cachos, a videira concentra nas bagas restantes açúcares, polifenóis e outras substâncias desejáveis – que conferem teores alcoólicos mais elevados e melhores aromas e sabores aos vinhos. Para o setor, esta é a “safra das safras”.

Outro segmento que vai muito bem é a suinocultura. A média diária de faturamento cresceu significativamente na segunda semana de maio. O volume embarcado aumentou mais de 80% em relação ao mesmo período do ano passado. E o preço da carne suína teve alta de mais de 5% – em dólares. A alta recorde da moeda americana, beirando os R$ 6, também beneficiou as exportações – principalmente para a China.

Ou seja: é o agronegócio que vai liderar a retomada do crescimento econômico no difícil período pós-pandemia. Do campo virá, mais uma vez, o impulso que fará a roda da economia voltar a girar. Porque se o arrozeiro, o vitivinicultor ou ou suinocultor vão bem, essa renda acaba irrigando o comércio e os serviços dos pequenos e médios municípios.

É o que vai acontecer a partir dos bons resultados colhidos por esses três setores em um momento tão difícil para a economia gaúcha. Todos seremos beneficiados pela eficiência do campo. Mais uma vez. Como sempre.

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