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Companheiros e Companheiras Progressistas:
Permitam-me, em primeiro lugar, uma afirmação de caráter pessoal: as senhoras e os senhores talvez não têm idéia da emoção que me toma nesse momento em que assumo a presidência do Partido Progressista, esta legenda que marcou e marca de forma indelével a história deste Estado, conduzida por valorosos dirigentes.
Aprendi desde cedo a ver o mundo pelos olhos da política, através do trabalho de meus pais, de meus avós e de seus companheiros de luta, que sempre agiram pelo bem comum dentro de um trabalho partidário. Menino, ainda, através do então PDS, fui organizando meu pensamento sobre as relações humanas e sobre a importância da vida partidária para o indivíduo e para sua relação com o outro, que tanto pode ser o outro indivíduo, como também a sociedade como um todo ou em seus mais diversos aspectos.
Política é relação entre cidadãos. Política é tudo, menos uma solidão. Esta verdade eu aprendi. Tive o privilégio de nascer e crescer em um meio político responsável e honrado e este é o maior patrimônio que herdei, que trago de casa. Conheci, desde cedo, pelo viés político-partidário, o valor da luta das mulheres, dos jovens, dos trabalhadores, dos negros, em especial, dos mais necessitados, dos que estão à margem. Compreendi e respeitei, desde cedo, a importância do empenho de cada pessoa para o processo de construção de um mundo mais civilizado, mais justo, mais plural, enfim MAIS HUMANO.
Tudo isso, repito, vi pelos olhos de meu partido. Portanto, posso afirmar: sou um homem de partido. Não poderia ser outra coisa. Agradeço a todos que construíram nosso partido, por me permitirem enxergar a vida como uma missão coletiva para o bem, para o progresso, para a evolução histórica. E muitos dos que me serviram de exemplo, estão aqui neste encontro, neste momento tão importante da minha vida.
No Brasil, não há dúvidas, vivemos uma crise sem precedentes, uma crise ética, uma crise política, uma crise que afeta todas as instituições. É o momento de irmos até o fim, para recuperarmos o fundamento ético da verdadeira política, sim, pois não há saídas fora da política. Não me peçam para ser pessimista. Aprendi a acreditar com os senhores, acredito que algo de novo deve nascer desta crise. Somos pessimistas enquanto permanecemos na nossa pequena escala. Quando começamos a tomar uma perspectiva um pouco mais aberta, mais elevada, não podemos ser pessimistas. Não temos esse direito. O pessimismo decresce à medida que se toma altitude no raciocínio e na decisão.
E se houve e há erros neste país, se enfrentamos esta crise ética, ela decorre sim da falta de consistência dos partidos, da falta de coerência e de moralidade nas agremiações partidárias que são apenas simulacros de partidos, algumas apenas siglas de aluguel, o que profana e desonra nossa atividade.
Já dizia De Gaulle que a política mais dispendiosa, mais ruinosa é a de ser pequeno. Sejamos, pois, grandes. Continuemos a ser grandes.
Continuemos a responder com altura e criatividade aos acontecimentos que limitam a emancipação humana. Isto fizeram e fazem as tantas figuras que agora lembro aqui, figuras que conduziram nosso partido à solidez atual, figuras que hoje, generosamente, corajosamente, investem nos meus 31 anos, na minha juventude e na minha incipiente história política, ao me passarem o comando do Partido Progressista no Rio Grande do Sul, a mais densa, a mais qualificada representação da sigla no país. Orgulho-me desta escolha e não terei descanso enquanto não corresponder a cada esperança em mim depositada. Estejam certos disso.
Mulheres e homens cuja preocupação com a injustiça social está em seu DNA, é parte de sua estrutura moral, pessoas que não conseguiriam viver apenas para suas individualidades. Seres humanos cujo exemplo de seriedade e dignidade na função pública haverá de me acompanhar por toda minha vida.
Do ponto de vista da administração partidária, é preciso que se considere o que já foi conquistado: somos um partido respeitado pela qualidade de seus quadros, pela competência administrativa, pela defesa intransigente de práticas políticas calcadas na ética e na moral, com respeito ao pluralismo de idéias e à democracia.
Dentre nossas bandeiras está a livre iniciativa, o direito á propriedade, à saúde, educação e segurança. Cremos na agricultura e no agronegócio como molas propulsoras para o desenvolvimento de nosso Estado. Temos um forte apelo municipalista, uma prática calcada na solidariedade e na responsabilidade social. Buscamos um Estado suficiente, nem mínimo, nem máximo.
Termos nossa marca, nosso perfil tão bem delineado já é uma vitória importante. Somos reconhecidos e respeitados pelos gaúchos por estas característica em todas as querências. Neste sentido, afirmo-lhes: somos um partido com posições claras, com programa e princípios que norteiam nossa ação e emprestamos contribuição importante para a governabilidade do Estado em diferentes administrações, como seguramente estamos oferecendo um trabalho sério, com dedicação absoluta, com extremada lealdade, ao governo de V. Exa, governadora Yeda Crusius. Na sua equipe estão homens e mulheres de sua confiança e da nossa confiança.
Celso Bernardi, Otomar Vivian, Francisco Turra, João Carlos Machado, Mário Nascimento, Valdir Andres, Mônica Leal, Pedro Westphalen, Artur Lorentz, Flávio Vaz Neto, Antônio Dorneu Maciel, e tantos outros em diferentes escalões se sentem honrados de integrar a equipe de governo e contribuir com o sucesso de sua administração, de nosso governo. Isto significa maturidade política, personalidade, vocação para a vida pública. Líderes como os presidentes Porém, nada seriamos se não tivéssemos uma história que nos trouxesse até aqui. Poderia falar de muitos outros de igual ou maior importância, mas quero agora falar de homens como Romeu Ramos, Rubens Ardenghi, Nelson Marchezan, Cláudio Strasburger, Silvérius Kist, Vitor Faccioni, Filmino Girardello, Octávio Cardoso, Tarso Dutra, João Dêntice, Octávio Germano, Solano Borges, além é claro do Celso e do Turra. Alias, estes dois a quem tanto devo e deve nossa geração. Todos estes imprimiram, com muita luta, essa referência honrosa, um exemplo que é, hoje, o PP de nosso Estado.
Queremos, agora, responder com o vigor da juventude às questões que ainda angustiam a todos nós. O que mesmo significa o novo momento do Partido Progressista do RS? Essencialmente, neste momento, me parece que precisamos dar força às vozes que configuram nossa estrutura partidária. Que vozes são estas? São as vozes da Juventude, das Mulheres, dos Municípios, das Lideranças, dos Trabalhadores. Todos têm, sim, muito a dizer e serão ouvidos. Afinal, é o nosso exército, são nossos MILITANTES, sem eles o partido simplesmente não existe, não passa de um registro cartorial, como tantos no país.
Precisamos, também, definir, com mais concretude, as políticas de nosso partido para o Rio Grande, para os Municípios gaúchos, para o Brasil. Qual é, afinal, nosso projeto de governo para estas instâncias? Precisamos estabelecê-lo rigorosamente, meticulosamente, e, com ele, orientar as administrações, a militância e a população em geral para que possa ser compreendido e cumprido.
Precisamos ter propostas acerca da necessidade de crescimento do Partido na região metropolitana e nas cidades-pólos do interior. É preciso que preservemos as bases no Interior, que tornam o PP o maior partido do RS em número de prefeitos e vereadores, e busquemos os grandes centros urbanos. Precisamos ampliar nossas bases na região metropolitana, o que significa também, voltar a governar Porto Alegre, sim, ampliar nossa representação na Câmara e governar a Capital, vereador João Dib, que já governou esta cidade, vereadores Beto Moesch, presidente do PP em Porto Alegre, Tarso Boelter, e tantos outros líderes partidários e comunitários desta cidade. Mas sem descuidar de nossos prefeitos, de nossos vereadores, de nossos dirigentes das comunidade menores.
Precisamos consolidar o novo momento partidário no resultado das eleições municipais do próximo ano, fazendo com que o PP conquiste o maior número de prefeituras e amplie consideravelmente o número de vereadores. Para isto, é preciso que valorizemos e motivemos as bases partidárias e as lideranças consolidadas no interior do Estado.
Precisamos estimular o espaço partidário de discussões. Quero que o PP seja, cada vez mais, uma verdadeira escola de política, onde possa haver, além do debate das questões locais e nacionais, como as reformas, uma interação com outras disciplinas, como filosofia, psicanálise, antropologia, para que nossa militância possa estar sempre conectada com o pensamento atual acerca da realidade e sempre preparada para disseminar idéias e projetos. Este é um sonho antigo que tratarei de realizar.
Precisamos preparar nosso Congresso Estadual, para que o mesmo venha a se constituir um evento político/partidário da maior importância para o Partido e para a população em geral e para que nossa voz se faça ouvir em todas as comunidades gaúchas.
Precisamos promover os atuais valores nascidos dentro do partido. Temos tantos talentos, na capital e no interior, por que não estabelecermos uma política de mostrar estes talentos? Seja em palestras, em programas de rádio, em televisão, em seminários. Precisamos fazer falar mais nossa militância, nossas lideranças.
Nossa relação com outros Partidos será pautada pela boa vontade do diálogo democrático, em condições igualitárias. É nossa obrigação, num Estado com uma história bélica como o Rio Grande, estarmos atentos à manutenção da paz, dentro da qual buscaremos, civilizadamente, responsavelmente, o bem comum de todos os gaúchos.
Para terminar, digo que fortalecer o Partido em suas várias manifestações será meu mais radical objetivo. Fortalecer o Partido, aumentar seu espaço de Poder, disseminar o seu discurso, difundir seu projeto de gestão pública, fazer dele um instrumento importante na concretização do verdadeiro objetivo de todo partido político, que é o de contribuir vigorosamente para que um novo patamar de relacionamento da sociedade com o Estado se estabeleça, com mais transparência, compreensão e participação. E por isto, sonhamos e sabemos que que faremos um Rio Grade do Sul e um Brasil melhor.
É neste sentido que a política precisa, através de Partidos fortes e decentes, avançar para cumprir seu destino de promotora de mais civilização, de mais justiça, de mais igualdade social. Como disse o escritor Leon Tolstói:
“HÁ QUEM PASSE PELO BOSQUE E SÓ VEJA A LENHA PARA A FOGUEIRA”.
Parafraseando Tolstói, digo:
“HÁ QUEM PASSE PELA VIDA E SÓ VEJA E FALE AQUILO QUE LHE CONVENHA. NÓS PROGRESSISTAS SOMOS DIFERENTES: PORQUE O QUE SE APRESENTA DIANTE DE NOSSOS OLHOS, SEMPRE HAVERÁ DE SE TRANSFORMAR EM LUTA, SOLIDARIEDADE E HONRADEZ”.