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Mãos à obra, juventude!

Sergio Turra

Mãos à obra, juventude!

Neste momento tão obscuro e desalentador que o Brasil atravessa, há um desafio pairando sobre a cabeça de seus jovens, que é mudar a letra da música, e não mais viver esperando dias melhores, mas sim partir para a construção de dias melhores, de um País em que, efetivamente, a esperança vença o medo.

Agora, porém, diferentemente de antes, não basta a “cara pintada”. É preciso mais. É preciso o coração incontaminado, a cara limpa e a coragem de participar, de se envolver, de se preocupar com a política e com o futuro de nosso Brasil. Logo adiante seremos pais, e seguramente não vamos querer apresentar aos nossos filhos uma Nação derrotada, inviável, envergonhada de si e dos seus cidadãos.

Mais do que nunca constitui uma obrigação, um dever cívico, a participação da juventude brasileira. Porém, uma participação consciente, efetiva e respeitosa, já que nem todos são inescrupulosos, corruptos ou incompetentes. Nesse momento é preciso, mais do que nunca, acompanhar profundamente a política, inteirar-se e interagir com seus componentes, visando separar, verdadeiramente, o joio do trigo.

Para tanto, os jovens têm o dever e o direito de votar e de ser votados. Esse é o desafio. Essa é a forma e o único meio de, neste momento, contribuirmos com o futuro. A revolução, o grito e a atitude que precisamos assumir é essa, e não a fuga e a descrença, que vêm estampadas no voto em branco ou nulo. Obviamente que a humildade deverá ser a primeira conselheira, para que, após vencida a primeira etapa, da conquista do espaço, não se percam os ideais e a esperança, abrindo campo para o deslumbramento e o descompromisso, repetindo, assim e infelizmente, a situação atual, onde o medo e o descrédito reinam.

O jurista Rui Barbosa, ainda em 1921, na célebre Oração aos Moços, com proféticas palavras já desvendava a força da juventude na construção de uma nação forte, convocando-a a participar do que chamou de ressurreição ansiada: “Mãos a obra da reivindicação de nossa perdida autonomia; mãos a obra da nossa reconstituição interior; mãos a obra de reconciliarmos a vida nacional com as instituições nacionais; mãos a obra de substituir pela verdade o simulacro político da nossa existência entre as nações. Trabalhai por essa que há de ser a salvação nossa”.

Eis o caminho. O futuro clama por essa participação. Mãos a obra, juventude brasileira.

Sérgio Turra (advogado e associado do Instituto de Estudos Políticos Ildo Meneghetti).

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